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O novo significado de sucesso no mundo corporativo: lições das startups para empresas tradicionais

Como startups estão redefinindo liderança, propósito e colaboração nas empresas tradicionais.

Por muito tempo, o êxito no ambiente corporativo esteve atrelado a símbolos de status e poder organizacional. Escritórios exclusivos, trajes formais e uma separação clara entre líderes e equipes faziam parte de um conceito de liderança que priorizava a aparência e a hierarquia. Contudo, o surgimento, o desenvolvimento e a consolidação das startups trouxeram uma ruptura significativa a esse modelo tradicional. Estamos diante de uma revolução que não apenas redefine o mundo dos negócios, mas também ressignifica o papel da liderança, a participação dos colaboradores e o que realmente importa no universo de trabalho.

Como executiva que atua há bastante tempo no mercado, vivi de perto essa transição. Convencionalmente, o avanço na carreira era marcado pela ostentação que representava o cargo ocupado. Hoje, essa concepção evoluiu bastante, especialmente no ambiente das startups, que introduziu uma mudança expressiva na qual o crescimento profissional está ligado à aquisição de novas técnicas ou habilidades, assim como à capacidade de adaptação, resiliência e inovação. Nessa dinâmica, o que diferencia o colaborador é a versatilidade na comunicação, a capacidade em resolver conflitos e o domínio da liderança inclusiva.

Na era das startups, o propósito e a colaboração superaram a aparência, a hierarquia, o status e o poder. E os resultados já são tangíveis: uma pesquisa conduzida pela consultoria Korn Ferry revelou que uma empresa cuja equipe está alinhada em torno de um propósito claro apresenta taxas de crescimento quase três vezes superiores à média de sua respectiva indústria. Quando uma organização prioriza o cerne de sua existência, todos os aspectos da operação mudam. O ambiente de trabalho se torna mais colaborativo, as salas deixam de ser individuais para serem de uso comum e a linguagem se torna acessível, facilitando o engajamento de todos.

O dress code, antes um ícone de prestígio, também foi desmistificado pelas startups: o conforto e o bem-estar dos colaboradores passaram a ser prioridade porque expressam autenticidade. Roupas mais casuais ganharam espaço, força e adeptos em todos os níveis; as pessoas podem ser quem elas são no ambiente de trabalho. A informalidade não apenas promove maior produtividade, mas também reflete uma nova abordagem, na qual o que realmente importa é a contribuição de cada indivíduo para o sucesso coletivo, resultando em um ambiente mais dinâmico, equilibrado e inclusivo.

A transição para o modelo de trabalho remoto trouxe novos desafios para manter essa cultura de interação e colaboração efetiva. Com a ausência do espaço físico compartilhado, surge a necessidade de encontrar outras maneiras de preservar a participação, o comprometimento e o interesse. Estratégias como ritos de gestão, propósito claramente definido em cada função e a criação de ambientes de confiança têm sido implementadas para manter a união e a proximidade. Já o incentivo à adoção de câmeras abertas facilita a conexão e o uso de fundos de tela padronizados evita comparações sobre o espaço privado, garantindo que a essência da cultura startup seja mantida mesmo à distância.

Quando as startups enfrentam situações em que é preciso ajustar os cintos e trabalhar em um contexto de escassez de recursos, é natural adotarem rapidamente uma posição mais humilde e despretensiosa. Essa cultura direciona o foco para o que realmente importa: a entrega de valor aos clientes. Sendo assim, crescer sem perder esse objetivo deveria ser a grande razão de existência das empresas. O propósito deve continuar sendo o guia na tomada das decisões, na visão de futuro, na contratação da liderança e na convivência diária com as equipes, visto que é fundamental para preservar a identidade e o triunfo a longo prazo.

Em 2025, a tendência mundial é pensar mais no conteúdo do que na forma, mais na essência do que na aparência. Recomendo às empresas tradicionais que observem o universo das startups e introduzam um novo significado ao mundo corporativo, transformando a percepção de sucesso por meio de uma mudança de foco: do status para o propósito e da hierarquia para a colaboração. Essa abordagem redefine o mercado e estabelece um novo padrão de cultura empresarial. O desafio será garantir que o propósito permaneça no centro de todas as ações.

Fonte: Mundo RH

https://www.mundorh.com.br/o-novo-significado-de-sucesso-no-mundo-corporativo-licoes-das-startups-para-empresas-tradicionais/